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Três meses de Dicesar Ferreira

Em sua primeira entrevista depois de três meses enjaulado, onde procurava o início da sua estrada de tijolos amarelos, Dicesar Ferreira, nossa colunista Dimmy Kieer, revela intimidades e bastidores da casa mais vigiada do Brasil.   

Quantas vezes você tentou entrar no BBB?

Foram três tentativas, e sabia que uma hora ia acontecer.

Quais eram suas expectativas?

Eu achava que o BBB tinha que ter uma Drag, mas no dia da Cadeira Elétrica, entrevista eliminatória uma semana antes, o Boninho fez muita pressão e deixou bem claro que queria eu de “hominho”.

Como foi a entrada?

Todo mundo me tratou bem. Na hora descobri quem era a lésbica, Angélica, uma fofa e linda. O Serginho me tratou bem, mas desconfiado: “Ai, mais uma biba brilhando aqui”, mas logo percebi que ele era só mimado, que era da nova geração Gay, não passou o que a minha geração passou. Tive que conquistar ele. No primeiro dia de prova, quando eu vi o Dourado pensei: “esse vai ser o meu calcanhar de Aquiles, ele vai me incomodar o tempo todo”.

Você fez amigos na casa?

Fiz sim. O Eliezer, a Cacau, a Fernanda e o Will, que apesar de tudo entendeu que eu não tinha como salva-lo no paredão em que ele foi eliminado. Também percebeu que a história da Fernanda estar sendo preconceituosa era coisa da cabeça dele.

Como foi a relação com a Fernanda, já que vocês ficaram ainda mais unidos no fim?

A Fernanda foi à primeira na casa que eu agarrei e dei beijos. Falei: “Nossa como você é linda”, e ela disse com a cara triste: “Ai, eu não tenho nenhum amigo gay”, na hora eu retruquei: “Agora você tem”. Só que ela estava na casa com o Dourado e com a Lia, e eles ficaram enchendo a cabeça dela de que eu estava em cima do muro, que eu era falso, que eu era isso e aquilo. Ela não se desfez de mim e ficou fria. No final a nossa união contou muito.

Rolou estresse na volta de Salvador?

Quando eu e a Cacau fomos pra Salvador vimos várias faixas dizendo que a Fernanda, a Lia e o Kadu eram falsos, faixas pedindo pra tirar o Dourado da casa, que o Serginho era falso. Eu voltei diferente, mas não comentei com ninguém. Levei a fama de fofoqueiro e linguarudo e quem contou pra casa toda foi a Cacau. Não era pra contar o que nós vimos ou escutamos.

Qual foi a emoção de estar em cima de um trio elétrico com a Cláudia Leite?

 Gente, ela é uma fofa, mas o que mais me emocionou foi Salvador, inteira, fazendo sinais de reverência. Um grupo enorme de gays beijando na boca, em frente ao Trio, e fazendo corações com as mãos. Muita gente gritando que torcia por mim. Arrepio-me até agora.

Em algum momento você pensou em sair da casa antes?

No dia que a Lena tentou abrir a porta, e não conseguiu, eu queria ir junto. Tinha acabado de ficar decepcionado e magoado com seis pessoas ao mesmo tempo.

 O que te deu força pra continuar?
Eu fui o primeiro Drag Queen a entrar no BBB, eu fui o primeiro a estar numa festa dentro do BBB montada e essa era uma história que não podia acabar ali. Também pensei nas coisas que minha mãe não pode me dar e que eu queria muito dar a ela. Nós sempre vivemos de aluguel, agora era a chance de dar uma casa e conforto pra ela. Tatuei o seu nome no meu braço e pensei que se eu não ganha-se o prêmio, pelo menos o carinho do público eu teria.

Quando você sentiu que começou a ser isolado pela turma do Kadu e Lia?

Eu brincava com todo mundo e adorava brincar com o Will. Ele era um palhaço, brincavamos muito de dar tapa, chute, mas tudo brincadeira. Depois de uma dessas brincadeiras percebi que o Kadu, a Lia e o Dourado começaram a me evitar. De repente, do nada, seis pessoas ficaram frias comigo. Nesse momento pensei que se eles achavam que, por eu beijar e dar carinho para todo mundo, eu era falso, então também estava na hora de eu só dar carinho pra quem me dava. Eles tentavam falar mal de mim para o Eliezer, a Cacau e a Lena, sendo que, ao mesmo tempo, os colocavam no paredão. Se eles queriam por todo mundo do puxadinho pra fora, então eu vou ficar no puxadinho. O Puxadinho é a minha cara. Risos.

Você achou justo a Joseane e o Dourado terem entrado nesta edição?

Realmente não achei justo, com a gente, ter dois BBBs com experiência anterior, mas aprendi a gostar da Josi. Ela é uma mulher viada, parece uma travesti. A paixão foi mútua de cara. Ela não entrou com arrogância. Ela só queria realmente uma segunda chance.

Já na reta final o Bial sempre batia na tecla de que em nenhum momento o Dourado tinha tido atitudes preconceituosas e nem homofóbicas. O que você acha disso?

No começo realmente não. Na festa em que me montei, onde a Lia e a Lena chegaram a chorar de emoção, o Dourado veio me dar os parabéns e falou que eu era realmente um artista, que ele não entendia de maquiagem e de moda, mas que estava impressionado com a transformação. No momento que eu virei adversário dele, quando declarei que realmente votava nele e que não tinha gostado da risadinha cínica quando ele voltou do paredão, o discurso mudou. Nesse dia ele falou: “agora você é meu adversário, vou fazer tudo pra você sair”. Tenho certeza que os murros que ele deu na grama ele queria era dar em mim. Toda vez em que brigávamos, ele sempre se distanciava com medo. Se ele gritava eu gritava mais alto ainda. Ele foi homofóbico sim, mas acho que respondi a altura. Ele me respeitava, mas as atitudes eram homofóbicas. Ele nunca disse que gostava dos gays ou que respeitava, ele sempre usava a família dele para fazer média. Dizia que a mãe dele tinha amigos gays e que ela os adorava. Que a irmã era cabeleireira e tinha vários amigos gays. Tudo mentira.

Então o Dourado foi o teu maior adversário?

Por incrível que pareça não. Meu maior adversário fui eu mesmo. Eu não sei jogar com a cara das pessoas e não sei colocar uma pessoa contra a outra. Olhando agora percebo que teria que ter entrado na onda deles sendo falso também. Tinha que aprender a ser jogador, só que não aprendi até agora.

Como era tomar banho de sunga?

Horrível. Quantas vezes paguei mico. Fui campeão em mostrar a bunda e o pinto. Quem tinha Pay-per-view deve ter ficado horrorizado. Risos

Realmente da para esquecer que tem câmeras na casa?

Lógico que agente esquece. Quantas vezes saia de roupão do banho e ia pro quarto me vestir e abria a perna. 

Você se arrependeu de alguma coisa que disse na casa?

Nadinha. Risos.

Nem quando você disse que o Mike Tayson era gay? Risos.

Ui, mas ele não é gay? O Brasil todo sabe que ele é gay. Ele não é? Alguém me disse que ele era gay. Ichi, Abafa.

Já se adaptou fora da casa de novo?
Desacostumei a acordar sem estar enforcado com o fio do microfone. No primeiro dia fora, acordei e fiquei desesperado procurando o microfone, achando que ia levar bronca que nem na casa. Pior foi quando ia bater meu primeiro “bolo”. Ui, tava neurótico procurando para ver se não havia câmeras. Confesso.

Falando nisso, você ficou os três meses sem “bater bolo” nenhum?

ihhhhhhhhh querida. O Eliezer não vale nada. Risos. Ele ficava me ensinado como se masturbar sem ninguém ver. Falava que dava pra fazer debaixo do edredom dobrando uma perna pra cima e com a mão pra baixo, e que ninguém ia perceber. Eu morria de medo e não fazia. O Eliezer era “tliste”. Risos.

 Qual foi a melhor lição dessa experiência?
Que eu tenho que ser mais tolerante e apesar de sempre cumprimentar todo mundo só vou dar carinho pra quem me der também. Confesso que aprendi essa lição e vou levá-la pra toda a vida.

E qual a pior lição?

Que eu era muito arreganhado mesmo. Mostro a bunda pra todo mundo, beijo e abraço todos e a gente só se fode.

Qual era o seu maior medo?

Morria de medo de tirar a maquiagem da Dimmy Kieer e mostrar que tenho ruga, que estou ficando careca ou que tenho barba, mas acreditei no meu sonho e alcancei. No pré confinamento, ainda, quando recebi um vinho, babadeiro, com o contrato da Globo, percebi que era a minha chance, minha vida ia mudar ali. Meu cu pro medo.

Você ficou contente com o que você ganhou em prêmios?

Muito, até demais. Mas o que realmente eu ganhei foi visibilidade.

Como vai ser agora?

Tenho contrato de seis meses com a TV Globo. Vou gravar vários programas, Xuxa, Faustão, Zorra. É babado. Vou trabalhar muito pelo Brasil todo.

Para encerrar:

Podem ter falado lá dentro que eu era falso, que estava em cima do muro ou perdido, mas como foi dito no discurso, que o Bial fez no meu paredão com o Serginho, eu gosto, realmente, de dar corações, cérebros e coragem. É a minha essência. Eu sou a Doroth.  

 

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